Guias · Registos, áreas e BUPi

A área da caderneta não bate certo com o terreno: porquê e como corrigir

Pasta, esboço ilustrativo de parcelas e instrumentos de conferência documental.

A caderneta predial diz 2.400 m². A escritura antiga diz 3.000. E quem conhece o terreno jura que é muito maior. Esta é uma das situações que mais encontramos nos terrenos das famílias emigrantes.

Porque é que as áreas não coincidem

  • Foram declaradas “a olho”. Muitas áreas nas Finanças vêm de declarações feitas há décadas, sem medição.
  • Os registos foram feitos em momentos diferentes. As Finanças, a conservatória e o cadastro nunca foram atualizados em conjunto.
  • O perímetro pode ter sido alterado. Trocas informais, ocupações, deslocação de muros ou alargamento de caminhos exigem análise: não se regularizam necessariamente como simples erros de medição.
  • Os limites deixaram de se ver. Terrenos abandonados perdem marcos e muros, e com eles a memória de onde acabavam.

Quando a diferença se torna um problema

Enquanto o terreno fica parado, a diferença pode passar despercebida durante anos. Torna-se um problema no momento em que a família precisa de fazer alguma coisa com ele.

Nas partilhas. Se os herdeiros dividem os terrenos com base em áreas erradas, um pode ficar com muito mais do que os outros sem ninguém dar por isso, e as discussões aparecem mais tarde.

Na venda. O comprador, o banco ou quem prepara a venda podem levantar dúvidas sobre áreas divergentes. Nos atos abrangidos pelo regime do BUPi, verifica-se a identificação exigida por RGG ou a situação cadastral e as dispensas aplicáveis, o que ajuda a detetar essas diferenças.

Com os vizinhos. Quando um vizinho identifica o seu terreno no BUPi e o desenho entra pelo da família, a diferença deixa de ser só um número e passa a ser uma disputa de limites.

Como se corrige a área

O primeiro passo é identificar o perímetro que está a ser medido e confrontá-lo com os títulos, a informação cadastral e os sinais no local. Um levantamento mede a área desse perímetro, mas não resolve, por si, uma disputa sobre a propriedade de uma faixa de terreno.

Depois, o caminho depende do que está errado:

O que está errado Como se resolve, em regra
Só a caderneta predial Procedimento de atualização matricial aplicável, com os elementos técnicos e documentais necessários
O registo na conservatória Atualização ou retificação nos termos do Código do Registo Predial, conforme o tipo de divergência e a prova disponível
O terreno nunca foi desenhado no mapa Representação gráfica georreferenciada no BUPi ou procedimento de cadastro
O desenho sobrepõe-se ao do vizinho Acordo sobre os limites, incluindo o procedimento de conciliação administrativa

A solução deve articular matriz, registo e cadastro ou BUPi. Existem dispensas legais de harmonização de áreas: nem toda a diferença obriga a alterar todos os elementos. As tolerâncias registrais não permitem apropriar terreno alheio nem dispensam analisar uma alteração efetiva das estremas.

Acertamos as áreas, no papel e no terreno

Na MGPS International este é um dos nossos serviços principais. A nossa equipa junta solicitador e técnico de cadastro, que é também técnico habilitado BUPi. Por isso tratamos de tudo no mesmo processo:

  • verificamos no local o perímetro indicado e a sua correspondência com os títulos e demais elementos disponíveis;
  • fazemos a representação gráfica no BUPi ou o procedimento de cadastro adequado;
  • tratamos das retificações nas Finanças e na conservatória;
  • resolvemos sobreposições com os vizinhos, sempre que possível por acordo.

Grande parte deste trabalho é feito sem a família ter de vir a Portugal.

Os números dos seus terrenos não batem certo? Faça o diagnóstico inicial e envie-nos a caderneta ou os documentos que tiver. Dizemos-lhe o que está errado e o que custa corrigir.

Este artigo tem carácter informativo e não dispensa a análise do caso concreto.

Carla Maria Marques

Sobre o autor

Carla Maria Marques
Solicitadora, MGPS International

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